PEIXINHO

segunda-feira, 1 de julho de 2013

FLORINDA







Dois anos mais tarde, Florinda estava agora com oito anos de idade. Levantara-se da cama logo pela manhazinha como era costume, para mais um dia de escola.
Ao chegar á casa de banho reparou que havia qualquer coisa diferente em si, notou que algo que escondia há tantos anos debaixo das saias e vestidos mexia para um lado e para outro. Então muito aflita gritou:
- Mãe, mãe!
Ermelinda correu muito aflita em seu auxílio e perguntou:
- O que foi cachopa, porque gritas?
A menina lá lhe começou a explicar. Ermelinda nem a deixou terminar, num pranto saiu porta fora em direção á casa da sua comadre Jacinta.
Pelo caminho soluçando dizia:
- Eu já sabia que isto não havera de correr bem, onde raio tinha eu a cabeça quando concordei com a comadre?
Há maldita Jacinta. Ao chegar às escaleiras da porta da comadre gritou muito aflita:
- Jacintaaaaa! Oh Jacinta! Venha cá mulher!
Ao ouvir os gritos da comadre Jacinta abre-lhe a porta e pergunta:
- Que foi comadre? Porque está a chorar?
- Ai comadre! Estou desgraçada, então não é que a cachopa hoje descobriu, aquela coisa. Não está a perceber comadre? O nosso segredo, ai que vergonha a minha quando toda aldeia souber, ai comadre...
Aterrorizada  jacinta abraça a comadre  sabiam elas que a vida daria uma reviravolta medonha,pois aquele segredo que tanto guardavam agora todos ficariam sabendo que sua pequena Florinda era na verdade um menino. O que faço agora comadre?
- Só tem uma saida pegue a menina Florinda e vá passar uns tempos com vossa família, lá ninguem sabe da veredita historia e assim comadre pode arrumar tudo sem que ninguem saibam.
Daquela hora em diante muita coisas se sucederam e muitas desgraças poderiam acontecer volta e meia às duas comadres se remoiam sem saber o que fazer e lidar com esse problema seria uma vergonha quantas vezes chorou relembrando o passado, quantas horas de angustia,
- Nao sei comadre Jacinta. Falou a comadre em prantos. E o que vou fazer da minha vida?
-Seguir em direçao ao campo onde tá tua familia oras comadre, lá inventa uma desculpa e faz da menina  Florinda um menino, se fizer bem feito tudo fica bem..
-Vou seguir teus conselhos comadre Jacinta e a menina Florinda podera aceitar essa nova vida, será capaz de me perdoar?
Preciso antes falar com a  Filomena, ai meu Deus dai-me força pediu Ermelinda olhando a sua volta e temendo o pior. E ao chegar a casa e ver afilha brincando toda feliz  Ermelinda ficou horas observando . Como Filomena estava feliz já fui menina corpo seminu, correndo livre ao sabor do vento, tomando banho com os primos, o que seria da sua filha ? e quando vier as mudanças do corpo a sua menina estava ali saltitando mas sabia que por dentro pulsava os desejos de menino que logo seriam aflorados. Começava ali o seu pesadelo e o melhor era seguir os conselhos da Jacinta a culpada pelos seus pecados era o começo do seu pesadelo o pagamento pelo seu erro..
E sem perder tempo Ermelinda chamou Filomena e disse:
-vamos viver no campo perto da minha família, lá você pode correr nos campos, brincar no riacho e vamos com certeza viver uma nova vida...


Ao reencontrar seu grande amor Filipa jura aceitar a vida que ele poderia lhe proporcionar, por Miguel seria capaz de abandonar a vida simples e humilde que vivia no campo.  Um grande amor de adolescente não iria acabar como a chuva de verão, nem com uma boba traição, Filipa sonhava com o fim do outono e com ele a volta do seu grande amor  esperou e ele não chegou.
Mas ao avistar o Miguel de mãos dadas com outra mulher Filipa vira-se para o irmão:
--Sei que nunca tivemos uma vida feliz, mas eu o amo apesar da sua traição-dizia Filipa ao irmão Joaquim que furioso de raiva estava bufando...
--você tem mais é que esquecer esse ordinário traidor e voltar comigo para casa do papai...
Mas Filipa ficava paralisada pensando no quanto estava perdida de amor por seu marido Miguel que vivia agora apaixonado por outra mulher,
E partindo para os dois que continuavam  parados e brancos como cera ela começou a gritar ao berros:
--Como vou esquecer o homem que se casou comigo, que me tirou a minha pureza?
-- Miguel que até ali continuava cabisbaixo segurando as mãos de Lena, falou com voz rouca:
-- Nosso caso foi um engano fui infeliz ao seu lado, segue tua vida que eu sigo a minha...
Mas Filipa estava inconformada e sem perceber que se encontrava numa praça lotada de gente continua relatando seu grande amor:
Não posso te  esquece  se na musica vejo você  as canções que fez para mim os lugares que fomos juntos os beijos, abraços e todo tipo de carinho que me ensinaste    as nossas fotos de casamento tudo guardado esperando por você.
-- eu não te amo mais Filipa entenda isso,
As fotos. Caso você tenha receio em queimar, coloque todas as fotos em um envelope de papel pardo. Feche com cola e guarde no canto, da ultima gaveta, jogue as chaves fora. De preferência esqueça-me assim como já te esqueci, eu encontrei na Lena a verdadeira felicidade!
--e as cartas que escrevestes para mim falando do seu amor? Grita Filipa rouca de chorar...
-- As cartas são fragmentos de um contrato que não deu certo. Éramos muito jovens não sabíamos o que era amor de verdade, amar é saber ri de pequenas coisas não brigar por bobagens como era nossa vida. Volte com seu irmão e vá ser feliz com outro homem assim como estou feliz com minha amada Lena. Vou te deixar de lembrança o poema que te fiz e saberá que amor de verdade é o que sinto hoje ao lado da Lena.
Para Filipa
Meu amor por te foi ilusão
Hoje amo outro alguém
A quem entreguei meu coração...

Não tive culpa e não consegui evitar
Quem nesse mundo consegue
Dar ordens ao coração
Quando se acorda envolvido numa paixão...

Foi num simples olhar
A Lena me cativou caí em tentação
Agora não tenho volta
Entreguei-me a essa doce paixão...

E foi dessa forma que Miguel destruiu o amor que Filipa nutria por ele, Joaquim furioso de  raiva pega a irmã e voltam para a vida simples do campo onde viviam da venda do que produziam,  geleias de frutas e criação de galinhas,